sexta-feira, 29 de março de 2013

Abertura



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              Não sou mãe, pelo contrário, sou homem e nem tenho biologia para ser mãe. Também não sou pai, hoje não posso mais ter filhos. Mas, ao ler este texto no orkut de uma amiga, a beleza deste me emocionou. Havia tempo que estava procurando tanto por um encerramento que, acabei encontrando uma bela introdução. Corri para pedir autorização para poder publicá-lo neste blog, autorização concedida, aí está o texto, que diz muito bem, com muita propriedade, o que é passar a ser uma mãe. Este texto não é apenas para você, mãe de portadores de mielomeningocele, hidrocefalia, mas é para você mãe, mãe de um tesouro muito especial que vai ficar ao seu lado, mesmo que um dia longe, pelo resto da sua vida:

                   ANTES DE SER MÃE... 



 Eu tinha calmas conversas ao telefone, MSN e Skype.
 Antes de ser mãe eu dormia o quanto eu queria e nunca me preocupava com a hora de ir para a cama.
 E tinha maior nojo de limpar coco de neném.
 Eu não andava com cheirinho de Mamãe e bebê da Natura e nem com os dedos com cheiro de Hipoglós
Antes de ser mãe ninguém golfou nem fez xixi em mim, nem me beliscou sem nenhum cuidado, com dedinhos de unhas finas. 
 Antes de ser mãe eu nunca tive que segurar uma criança chorando para que médicos pudessem fazer testes ou aplicar injeções. 
Eu nunca chorei olhando pequeninos olhos que choravam.
 Eu nunca fiquei gloriosamente feliz com uma simples risadinha.
 Eu nunca fiquei sentada horas e horas olhando um bebê dormindo.
E nunca achei tão engraçado um arroto. 
Antes de ser mãe eu nunca segurei uma criança só por não querer afastar meu corpo do dela. 
Eu nunca senti meu coração se despedaçar quando não pude estancar uma dor.
 Eu nunca imaginei que uma coisinha tão pequenina pudesse mudar tanto a minha vida. 
Eu nunca imaginei que pudesse amar alguém tanto assim. 
Eu não sabia que eu adoraria ser mãe. 
Antes de ser mãe eu não conhecia a sensação de ter meu coração fora do meu próprio corpo. 
Eu não conhecia a felicidade de alimentar um bebê faminto. 
Eu não imaginava que algo tão pequenino pudesse fazer-me sentir tão importante. 
Muito obrigado Senhor, por me conceder esse maravilhoso sentimento. Estou curtindo cada momento como se fosse o único, e estou muito feliz por essa experiência ao lado do meu gracioso filho, meu querido esposo, meu pai, minha mãe, minha irmã e de todas as pessoas que caminharam comigo nessa trajetória da minha gestação. Fico muito grata a ti Senhor, pois só o Senhor e o meu Deus e a ti eu confio!!!
Quando nasci não haviam muitas esperanças para a minha vida. Isso, aqui, não se trata de nenhuma novidade para nenhum de vocês meus leitores. Muitos de vocês já ouviram, ou até mesmo, os pais de vocês já ouviram a velha expressão: "Seu filho nunca terá uma vida normal". Pois é, foi o que os meus pais ouviram quando eu havia acabado de nascer. Não deve ser nada fácil de ouvir essa expressão. Com certeza, a sensação é de o mundo vir abaixo sobre nossas cabeças. Mas, assim como meus pais, nunca desisti de ter uma vida plena. Nunca desisti de lutar muito por um objetivo, por menor que ele fosse. A cada passo dado, uma grande vitória conquistada. A cada movimento realizado, por mais simples que pudesse parecer aos olhos daqueles que não têm nenhuma espécie de deficiência, uma enorme alegria para mim mesmo.
Sempre, a cada passo dado, eu sempre quis ir mais e mais longe, a cada objetivo alcançado sempre quis ir cada vez mais longe.
Andei com três anos e meio e essa foi, sem dúvida, a maior de minhas vitórias. A primeira de muitas em minha vida.
Lembro-me como se fosse hoje, em uma consulta ao neurologista em minha infância quando o mesmo disse que eu jamais conseguiria ser alfabetizado em uma escola regular. Bom, até mesmo essa barreira eu consegui derrotar. Não apenas frequentei escolas regulares, desde o jardim de infância até ao ensino médio, como me atrevi a prestar vestibulares e passando em um deles (um para Direito e o outro para Fisioterapia). Fiz a faculdade de Direito em uma das melhores faculdades do Estado de São Paulo assim como qualquer pessoa que estava lá.
Estou aqui para falar sobre minha infância. Não foi nada fácil, mas sempre procurei fazer o que qualquer criança de minha faixa etária sempre fez, exceto uma única coisa não consegui fazer: Subir em árvores. Mas isso tudo bem, pois nem todos conseguem também.
Desde bebezinho fiz muitas sessões de fisioterapia. E todos esses exercícios sempre fortaleceram muito a minha musculatura das pernas, o que sempre me deu muita força para sempre poder dar os meus passos, por mais errados, ou fora do padrão que fossem, mas eram os meus passos; grandes passos de minha vitória. Foram muitos anos de fisioterapia para fortalecer as minhas pernas, para que eu pudesse andar, mas consegui, cheguei lá, consegui andar e ter com isso, o começo da minha tão sonhada independência.
Brinquei muito, tive alguns amiguinhos, briguei, chorei... Na escola, ou na rua é que, algumas vezes, as coisas não acabaram sendo muito fáceis. Quando somos crianças, acabamos sendo sempre muito curiosos com as diferenças. É a fase dos por quê? E isso, muitas vezes me deixava um pouco triste, pois em alguns momentos me sentia um pouco o centro das atenções da multidão ao meu redor e por conta disso, acabava sempre me retraindo, ou sempre acabava arrumando uma maneira de expulsar quem fazia parte desse redor, do meu caminho.
Nunca gostei de muitas perguntas sobre o que eu tinha, pois, como era criança, nunca sabia responder direito. Eu apenas queria ser uma criança comum, como qualquer outra. Por causa disso, muitas vezes, para ser aceito no meio do grupo, eu sempre acabava fazendo com que eu fosse "usado" pelos colegas.
Fui, muitas vezes, ridicularizado, mas sempre acabava aceitando, até que determinado ponto acabei incutindo em mim esses atos como normais. Acabei na infância mesmo, sendo objeto de outras crianças. Até mesmo, por essas coisas, nunca tive muitos amigos, a não ser apenas vizinhos mais próximos de minha casa mesmo.
As barreiras arquitetônicas e o preconceito dentro de uma escola sempre foram muitos em minha infância  principalmente na que eu fiquei mais tempo, ou seja, do primeiro até o oitavo ano (de 1989 a 1996). Nela, tive uma grande barreira arquitetônica chamada escada, assim que eu entrava na escola. Eram três degraus, apenas três, mas por eu ser pequeno em estatura, tinha sempre que apoiar com uma das mãos no chão, ao lado dos degraus, por falta de um corrimão. Foram oito anos passando sempre pelos mesmos degraus, mas nunca desisti de superá-los. Minha vontade sempre foi muito maior do que qualquer degrau, ou falta de acessibilidade. Sempre quis ir mais longe do que eu pudesse imaginar que eu poderia estar.

2 comentários:

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  2. oi Marcelo parabéns pelo blog, vc pode sim colocar o link do meu blog no seu, perdão por ter te respondido só agora. Grata Juliana

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