sexta-feira, 29 de março de 2013

Minha vida Adulta


Minha vida adulta começa com meu ingresso na faculdade de Direito. Um universo completamente diferente de tudo o que eu havia experimentado na minha vida inteira.
Eu tinha 18 anos quando pisei pela primeira vez dentro de uma universidade, oficialmente como aluno. Outro mundo... Era a porta para o que eu seguiria o resto da minha vida. Era o início de um projeto de vida que somente terá fim com a minha velhice e aposentadoria.
Como tudo na minha vida, a faculdade de Direito também não começou bem. As primeiras avaliações não foram grandes coisas, e também não estava conseguindo fazer muitas amizades.
Sempre fui muito defensivo e ficava muito no meu canto, sempre esperando que alguém viesse até a mim e nem sempre o contrário (aliás, era muito raro eu correr atrás de alguém para iniciar uma conversa, sendo assim até o momento).
Quase todos os fins de semana durante o primeiro ano de faculdade os colegas marcavam churrascos, eu sempre dava o meu nome, mas nunca comparecia. Era o meu jeito de dizer que estava ali, mas que não iria comparecer a nenhum evento social. Não era medo ou qualquer receio do meu problema com a bexiga neurogênica (responsável pela incontinência urinária), mas eu realmente não conseguia manter um relacionamento social, por algum medo de ser recriminado dentro ou fora de casa por algum ato ou palavra exposto lá fora.
Gostei muito da minha época de universitário, apesar de nunca ter ido a nenhum evento da sala, sendo por isso mesmo que eu não tenho inclusive álbum de formatura, pois nem fotos junto com a turma eu tenho. Meus pais inclusive até chegaram a começar a pagar a formatura para mim, mas logo em seguida eu desisti de ir, pois não seria grande coisa mesmo e também seria mais uma fuga de eventos sociais, apenas mais uma das diversas fugas que já tive.
Após muitos anos eu compreendi o por quê dessas fugas. Quando as coisas não começam dando certo em minha vida, assim como a faculdade que foi aos trancos e barrancos, apesar de eu não ser o pior ou estar entre os piores alunos, eu acabo desanimando, pois sempre haviam pessoas por trás de mim me ajudando nesse desanimo. É muito difícil de animar com alguma coisa quando apenas te dizem que você jamais será nada na vida apenas pelo fato de você não ter notas de um superdotado (coisa que não sou, nunca fui e nem tenho a pretensão de ser).
Tanto não fui um dos piores alunos que no quarto ano, após o meio do ano, prestei uma prova de concurso público e acabei passando, mesmo que em uma vaga para deficientes físicos, mas já estava com meu emprego garantido, o que ninguém em minha sala tinha sequer tentado fazer antes de se formar, eu já havia conquistado: era servidor público.

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